---Kitsch---

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

---Kitsch---

Mensagem por Lewis K. em Sex 16 Set 2011, 11:29

Kitsch

Definição
O termo kitsch é utilizado para designar o mau gosto artístico e produções consideradas de qualidade inferior. Aparece no vocabulário dos artistas e colecionadores de arte em Munique, em torno de 1860 e 1870, com base em kitschen, [atravancar], e verkitschen, [trapacear] (vender outra coisa no lugar do objeto combinado), o que denota imediatamente o sentido pejorativo que o acompanha desde o nascimento. A gênese do kitsch é localizada no romantismo, pela ênfase observada na expressão dos sentimentos e das emoções, o que na literatura, por exemplo, toma forma do melodrama e da literatura popular. Negação do autêntico, cópia e artificialidade são os significados freqüentemente associados aos objetos e produções kitsch, encontráveis tanto nas artes visuais, na literatura e na música, quanto no design e na profusão de produtos que cercam o cotidiano: souvenir turístico, miniatura, adorno, objetos de decoração e devoção, talismã religioso e outros.

O kitsch se populariza na década de 1930 com as formulações dos críticos Theodor Adorno (1903-1969), Hermann Broch (1886-1951) e Clement Greenberg (1909-1994), que definem o por oposição às pesquisas inovadoras da arte moderna e da arte de vanguarda. Pensando o kitsch com base no conceito marxista de "falsa consciência", Adorno localiza-o no seio da indústria cultural e da produção de massas. Broch, por sua vez, opõe a arte criativa às imitações e convenções artificiais que orientam as produções kitsch. Greenberg define o "estilo" como arte da cópia, das "sensações falsas" e da obediência às regras acadêmicas. Nesse sentido, o kitsch é definido como o avesso da vanguarda. Diz ele: "Onde há uma vanguarda geralmente também encontramos uma retaguarda. É bem verdade - simultaneamente à entrada em cena da vanguarda, um outro fenômeno cultural apareceu no Ocidente industrial: aquilo a que os alemães dão o maravilhoso nome de Kitsch: a arte e a literatura popular e comercial com seus cromotipos, capas de revista, ilustrações, anúncios, subliteratura, histórias em quadrinhos, a música de Tin Pan Alley, sapateado, filmes de Hollywood etc. etc.".

Ainda que, muitas vezes, se fale no kitsch como um conceito universal - reconhecível portanto em qualquer época e estilo artístico -, a maior parte dos estudiosos encontra-o no seio da sociedade industrial, de feitio burguês, o que faz dele um dos produtos típicos da modernidade. A pujança do kitsch, indica Abraham Moles, coincide com a expansão do mercado e a emergência da sociedade de massa que impõem normas à produção artística ditadas pela difusão e possibilidades de aquisição de produtos artísticos - de modo geral, reproduções e cópias - em função dos baixos preços. Os grandes magasines, que abrem as portas a partir da segunda metade do século XIX, dão vazão aos novos produtos que visam agradar a classe média: porcelana, bibelô, estatueta, cromo com reproduções de estampas e/ou figuras célebres etc. O kitsch apresenta-se desse modo como a arte que está ao alcance do homem, disponível nas vitrines e casas comerciais.

Os artifícios do mundo burguês revelam-se nos produtos kitsch, confeccionados em geral com novos materiais que nunca se apresentam como são: a madeira é pintada imitando o mármore; os objetos de zinco, bronzeados; as estátuas de bronze, por sua vez, douradas. A norma consiste em utilizar matéria-prima considerada inferior - por exemplo, gesso, estuque, ferro e zinco - dissimulando-a para que pareça nobre. A técnica da simulação combina-se nas produções kitsch com a ornamentação rebuscada, com a associação de ampla gama de cores e com a distorção das dimensões da figura em relação ao objeto representado (por exemplo, o Arco do Triunfo em miniatura ou um rato gigante estilizado de bronze). Nota-se ainda a tendência ao exagero e à acumulação de elementos numa só composição. Nesse sentido, a arte kistch é essencialmente sincrética, alimentando-se de elementos retirados de diferentes escolas e artistas. Localiza-se, assim, nas antípodas da funcionalidade e do despojamento que caracterizam, por exemplo, as obras da Bauhaus. Longe da funcionalidade, as produções kitsch caracterizam-se pela gratuidade e por seu caráter eminentemente decorativo.

A despeito das considerações críticas sobre a existência de uma oposição entre o kitsch e as vanguardas, nota-se uma estreita relação entre os termos: tanto as produções kitsch incorporam procedimentos das vanguardas quanto, ao contrário, diferentes movimentos de vanguarda se interessam pelo kitsch pelo modo como ele subverte os padrões estéticos, de modo muitas vezes irônico. Um bom exemplo são os bigodes colocados por Marcel Duchamp (1887-1968) numa reprodução da Gioconda de Leonardo da Vinci (1452-1519), que fazem dela um ready-made retificado, o L.H.O.O.Q., 1919. O ato e a obra de Duchamp empreendem uma leitura da tradição com caráter falsificado e postiço que ela assumi no mundo moderno.

No período posterior à Segunda Guerra Mundial, 1939-1945, a arte pop retira o sentido pejorativo que cerca o kitsch. A arte pop se apresenta como um dos movimentos que recusam a separação arte/vida, e o faz - eis um de seus traços característicos - pela incorporação das histórias em quadrinhos, da publicidade, das imagens televisivas e do cinema. Ao aproximar arte e design comercial, os artistas superam, propositadamente, as fronteiras entre arte erudita e arte popular, ou entre arte elevada e cultura de massa, flertando sistematicamente com o kitsch. Podem ser citadas, entre outros, a colagem de Richard Hamilton (1922), O que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Diferentes, Tão Atraentes?, de 1956; as naturezas-mortas de Tom Wesselmann (1931), compostas com produtos comerciais; os quadrinhos de Roy Lichtenstein (1923); as esculturas de Claes Oldenburg (1929), em Duplo Hamburguer , 1962; e as obras de Andy Warhol (1928-1987), 32 Latas de Sopas Campbell, 1961-1962, Caixa de Sabão Brilho , 1964, entre outras. No Brasil as obras de Nelson Leirner (1932) e Wesley Duke Lee (1931-2010) são pioneiras na incorporação dessas discussões. O pós-modernismo da década de 1980 rompe mais uma vez, e com resultados diversos, as fronteiras entre o kitsch e a chamada arte erudita.


Fonte: http://www.itaucultural.org.br
avatar
Lewis K.

Feminino Mensagens : 332
Idade : 21

Ver perfil do usuário http://portalhf.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: ---Kitsch---

Mensagem por Lewis K. em Sex 16 Set 2011, 12:16

Hitler, desmontagem de um mito “kitsch”

A exposição “Hitler e os alemães”, inaugurada em Berlim no dia 15 de outubro, tenta compreender a relação entre o ditador e o seu povo. Para a imprensa local, o objetivo só foi parcialmente conseguido.

É a primeira exposição sobre Hitler organizada na Alemanha e está a dar brado. Inaugurada no dia 15 deste mês no Museu Histórico Alemão de Berlim, “Hitler e os alemães” apresenta várias centenas de objetos, fotografias e documentos que procuram explicar a relação entre o ditador nazi e o seu povo.

“É sobre nós ou sobre ele?”, interroga-se o Tagesspiegel. “Quem for à espera de análises psicológicas, abordagens biográficas, um modelo de explicação”, ou do retrato “de um monstro criminoso, um mito, um ícone pop ou um fantasma, sai desiludido”, considera o diário. Porque o que o visitante encontra é “um bom livro de história do nacional-socialismo”, uma maneira “de evitar a todo o custo a fixação diabolizada do pós-guerra”.

Uma exposição que insiste demasiado na manipulação dos espíritos
Para o Süddeutsche Zeitung, o nazismo coloca uma única questão: “Como foi isto possível?”. Desse ponto de vista, a exposição preocupa-se em “não esconder os crimes por trás da relação de Hitler com os alemães”. Uma intenção que se traduz logo à entrada, onde se apresenta três retratos de Hitler, por trás dos quais se veem imagens de crimes e de destruição.

Mas “o maior problema da exposição”, considera o diário, é que a relação entre Hitler e os alemães parece dominada “pelo carisma e pela propaganda”, esquecendo-se “as vantagens práticas” do nazismo para os seus adeptos. “O Terceiro Reich era uma grande máquina para fazer carreira em todos os domínios”, recorda o SZ. A exposição mostra como a propaganda se apoiava em brinquedos de criança e em jogos para adultos, mas insiste demasiado na manipulação dos espíritos.

No entanto, observa Die Welt, “a coleção de bustos ‘kitsch’, de cartas elogiosas e declarações de amor de crianças e de adultos” tem por objetivo sublinhar “a nostalgia de um personagem redentor, profundamente ancorada [na época] na sociedade alemã”. O diário considera assim que “Hitler e os alemães” “desmonta o mito do ‘carisma' do Führer” e reduz o personagem à sua verdadeira dimensão: “não um génio sulfuroso, mas um impostor medíocre impregnado de ‘kitsch’”.

O alemão mais conhecido, apesar de ser austríaco
E no entanto, Hitler “permanece o alemão mais conhecido, apesar de ser austríaco”, constata o Tagespiegel. “Goste-se ou não, Hitler continua a ser o nosso marco nacional mais importante”, insiste Die Welt, salientando que a imprensa internacional se lançou a ver a exposição antes mesmo da abertura, “de uma maneira impensável relativamente a qualquer outro assunto histórico”.

O diário explica este interesse “pela natureza das coisas, porque não haverá nunca resposta unívoca e definitiva para a questão de saber como um país tão civilizado como a Alemanha pôde deixar avolumar-se um regime tão monstruoso e deixá-lo contar até quase ao fim com um tão largo apoio do povo alemão”.

Mas, espera Die Welt, ao sair da exposição, talvez os visitantes, alemães e estrangeiros, se sintam incitados “a ter menos respeito e menos medo dos ditadores atuais e futuros”, e a percecionarem, “por trás das máscaras de grandes líderes, existências desprezíveis e falhadas”.


Fonte: http://www.presseurop.eu/pt/content/article/362541-hitler-desmontagem-de-um-mito-kitsch
avatar
Lewis K.

Feminino Mensagens : 332
Idade : 21

Ver perfil do usuário http://portalhf.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: ---Kitsch---

Mensagem por Lewis K. em Sex 16 Set 2011, 12:18

Para saber mais...


KITSCH - CULTURA .pdf
avatar
Lewis K.

Feminino Mensagens : 332
Idade : 21

Ver perfil do usuário http://portalhf.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: ---Kitsch---

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum