O Império Napoleônico

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O Império Napoleônico

Mensagem por Lewis K. em Sab 26 Maio 2012, 23:33


O Império Napoleônico



Enquanto no Brasil germinavam as sementes da Independência,
na França florescia um novo Império. Coube a Napoleão a tarefa de consolidar
internamente e difundir externamente os ideais da Revolução. Ela havia atingido
o auge durante o Terror. A reação veio em 1795 com a implantação do Diretório.
Este teve dificuldades para governar, atacado pelos partidários da realeza, que
queriam a volta do Antigo Regime, e pressionado pelas cama­das populares, que
queriam a volta do Terror.


Alguns
diretores resolveram fortalecer o poder do Diretório, conspirando com um líder
militar popular, que se havia destacado em guerras da França contra a Itália
(1796-1797) e no Egito (1798-1799): Napoleão. Foi ele o escolhido para chefiar o
golpe que depôs o Diretório, dissolveu a Assembléia e implantou o regime do
Consulado (1799-1802).



Não passava de uma ditadura disfarçada. Em 1804, foi criado o
Império, espécie de monarquia vitalícia. Apesar de haver Constituição, Napoleão
governou despoticamente. Por algum tempo, a prosperidade resultante das reformas
internas e o êxito das guerras permitiram a continuidade do regime. Com os
primeiros fracassos militares, seus fundamentos seriam abalados, até a queda em
1814.






O Consulado vira monarquia






Em 1799, a França apresentava aspecto desolador: indústria e
comércio arruinados; caminhos e portos destruídos; serviço público
desorganizado; emigrados fugiam da desordem e da ameaça de confisco de bens;
clérigos que se haviam recusado a acatar a nova Constituição eram perseguidos. A
guerra civil parecia iminente.



Napoleão procurou fazer uma política de re­conciliação. A
Constituição, aprovada em plebiscito por mais de 3 milhões de votos, lhe deu
poderes ilimitados, sob aparência de regime republicano: o Consulado. O voto era
universal. Fazia­se uma lista de candidatos mais votados e entre eles o governo
escolhia os encarregados das funções públicas.



O fraco Poder Legislativo se compunha de quatro assembléias:
Conselho de Estado, que preparava as leis; o Tribunal as discutia; o Corpo
Legislativo votava; e o Senado velava pela execução. O Poder Executivo, confiado
a três cônsules nomeados pelo Senado por dez anos, era o mais forte. Quem
detinha o poder mesmo era o primeiro­cônsul; ele propunha e mandava publicar as
leis, nomeava ministros, oficiais, funcionários e juízes.



Em 1802, Napoleão assinou afaz de Amiens, pondo fim ao
conflito europeu que durava desde 1792.



Seu governo reorganizou e centralizou a administração. Tomou
medidas financeiras importantes, como a criação de um corpo de funcionários para
arrecadar impostos e a fundação do Banco da França, com direito de emitir
papel­moeda. A situação econômica melhorou. O ensino secundário se organizou com
o objetivo de instruir funcionários para o Estado. A maior obra de Napoleão foi
o Código Civil, inspirado no Direito Romano, nas Ordenações Reais e no Direito
Revolucionário; completado em 1804, continua na essência vigorando em nossos
dias.


A paz com a Igreja a veio em
1801. O papa aceitou o confisco de bens, e o Estado ficou proibido de interferir
no culto. Os bispos, indica­dos pelo governo e investidos nas funções pelo papa,
prestariam juramento de fidelidade ao governo. As bulas papais só entrariam em
vigor depois de aprovadas por Napoleão.


Vitorioso
interna e externamente, Napoleão pôde estabelecer a hereditariedade do Consulado
em 1802: recebeu do Senado o direito de indicar seu sucessor. Tratava-se da
implantação da monarquia hereditária.













O despotismo de Napoleão






Aproveitando o perigo trazido pelo reinicio das guerras,
Napoleão se fez proclamar impera­dor. Em 1804, nova Constituição legalizava o
Império e convocava um plebiscito para confirmar sua instituição. O papa sagrou
Napoleão em Paris. Seu poder era absoluto.



Ao Código Civil, seguiram-se o Comercial e o Penal. A
economia se aqueceu. Os camponeses passaram a produzir mais e a apoiar o regime.
A indústria foi estimulada. O governo concluiu numerosos trabalhos iniciados no
Consulado: canais, portos, estradas, embelezamento de cidades.



Napoleão tornou-se mais despótico que os antigos reis.
Suprimiu as assembléias; o Tribunal e os Corpos Legislativos perderam suas
funções; não havia respeito pelas liberdades individuais e políticas; a imprensa
ficou sob censura. O imperador interveio na educação. Alterou o programa de
disciplinas perigosas para o regime, como História e Filosofia. Serviu-se até da
religião: o catecismo ensinava os deveres para com Deus e para com o imperador;
quando o papa se recusou a integrar-se na política internacional de Napoleão,
ele lhe tomou os Estados e confinou-o em Savona (1809); os bispos que tomaram o
partido do papa foram perseguidos.





Política externa






Em 1803, a Inglaterra se uniu à Rússia e à Áustria para lutar
contra a França. Os ingleses venceram nó mar, em Trafalgar, na Espanha; mas os
franceses bateram os austro-russos em terra, em Austerlitz, Boêmia. No fim da
guerra, a Áustria foi separada da Alemanha e da Itália, e esta submetida à
França. Na Alemanha criou-se a Confederação do Reno, sob tutela francesa, para
substituir o Sacro Império.


Outra
aliança se formou em 1806 contra Napoleão: a Prússia e a Rússia, ambas vencidas.
Pela Paz de Tilsit (Prússia), a Prússia foi desmembrada e a Rússia se aliou à
França.



Para enfraquecer a Inglaterra, Napoleão decretou o Bloqueio
Continental: todos os europeus eram obrigados a fechar seus portos ao comércio
inglês.


O desejo de
conquistas na Península Ibérica abriu à França novos campos de conflito. Os
austríacos aproveitaram e retomaram as armas em 1809, mas foram batidos e também
sofreram desmembramento.



O poder napoleônico chegava ao auge. Seu organizado exército
parecia imbatível. A Europa ocidental estava submetida a seu poder. Mas as
intervenções francesas provocaram revoltas nacionais, principalmente na Prússia.



Em 1812 terminou a aliança com os russos, quando eles
romperam o bloqueio contra os ingleses. Napoleão invadiu a Rússia. Venceu a
Batalha de Moscou, mas encontrou tanta resistência que foi obrigado a uma
retirada desastrosa. Na Espanha as tropas sofriam com os guerrilheiros. A
família real portuguesa fugiu para o Brasil: mais uma brecha no Bloqueio
Continental.



Prússia e Áustria então se aliaram à Rússia e venceram
Napoleão em Leipzig (Confederação do Reno), destruindo-lhe o poder na Europa
(1813). Ele nem sequer conseguiu impedir a invasão da França. Os aliados tomaram
Paris, restabelece­ram a monarquia deposta em 1792 e obrigaram Luís XVIII a
aceitar o Tratado de Paris.


Preso na
ilha mediterrânea de Elba, Napoleão fugiu em março de 1815 e retomou o poder
(Governo dos Cem Dias). Mas foi detido pela última coligação européia contra a
França. Os ingleses o derrotaram em Waterloo, na Bélgica. Preso na ilha de Santa
Helena, costa africana, morreu em 1821.



Luís XVIII retomou o poder. Em 1814-1815, o Congresso de
Viena restabeleceu o equilíbrio entre as grandes potências (Inglaterra, Prússia,
Rússia e Áustria); Alemanha e Itália permanece­ram divididas; a Inglaterra
adquiriu a supremacia marítima e colonial. Para preservar a paz e evitar
perturbações sociais como a Revolução Francesa e as guerras de Napoleão, as
potências criaram a Santa Aliança.



Fonte: http://www.culturabrasil.org/napoleao.htm

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Lewis K.

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