Conjuração Mineira [Exército]

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Conjuração Mineira [Exército]

Mensagem por Lewis K. em Qui 14 Fev 2013, 12:46

IDEAL DE LIBERDADE NACIONAL



O movimento insurrecional de 1789 em Minas Gerais nasceu a partir de acontecimentos políticos mundiais, como a Independência dos Estados Unidos e a ascensão da filosofia Iluminista, e ainda das condições estruturais da sociedade brasileira, a gradativa extinção do ouro e a ameaça da cobrança da derrama - referencial da cobiça e exploração da metrópole sobre a colônia.
Buscando a separação de Portugal, os conjurados almejavam, ainda, o estabelecimento de uma república, criação de casa de moeda, de fábricas, educandários, universidades e hospitais.Haveria a criação dos símbolos nacionais e a separação entre Igreja e Estado. Enfim, buscava-se independência e progresso para a Nação.
Esgotado o ouro, a economia mineira era de base rural. Mas era também comandada por homens de conhecimento, cultos, e mantinha-se dinâmica.
Esses intelectuais encabeçavam o movimento insurrecional: desembargadores, advogados, ouvidores, mineradores, militares. Mas o grande referencial do movimento foi o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, maior entre todos os mártires do processo brasileiro de independência, considerado herói nacional.
Aprendeu os conhecimentos básicos de odontologia com um parente e, por isso, conseguiu a profissão de dentista prático. Aos 18 anos, optou pela carreira das Armas, alistando-se como alferes no Regimento de Cavalaria de Minas Gerais.
Tiradentes teve papel destacado na conspiração, falava abertamente sobre a necessidade da revolução e pregava-a em qualquer lugar; pois esta tornara-se o motivo maior de sua vida.
Traído, junto com os demais revolucionários, por Silvério dos Reis, que fez a denúncia para obter perdão de sua dívida para com a Coroa, manteve firmeza em seus depoimentos, resistiu a todas as pressões; não comprometendo ninguém nem oferecendo detalhes.
Após mais de seis meses incomunicável, foi novamente interrogado, e decidiu assumir sozinho a culpa, isentando os demais participantes. Com isso, o revolucionário iluminista entregava sua vida.
Em 18 de abril de 1792 foi lida a sentença. Doze inconfidentes foram condenados à morte. Mas todos, à exceção de Tiradentes, tiveram a pena alterada para degredo.
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi morto na manhã de sábado do dia 21 de Abril de 1792, em uma forca armada no Largo da Lampadosa, no Rio de Janeiro.
Mas o símbolo do movimento - uma bandeira branca com um triângulo e a expressão latina Libertas Quae Sera Tamen, que significa ‘’Liberdade, ainda que tardia’’, não morreram com ele. A Nação brasileira conheceria a independência, e o ideal de liberdade se tornaria real e palpável para todos.

(...) atrás de portas fechadas há luz de velas acesas
uns sugerem, uns recusam, uns ouvem, uns aconselham
"— Se a derrama for lançada há levante com certeza!
Corre-se por essas ruas, corta-se alguma cabeça!"
No cimo de alguma escada profere-se alguma arenga
que bandeira se desdobra? com que figura ou legenda?
Atrás de portas fechadas há luz de velas acesas
entre sigilo e espionagem acontece a Inconfidência.
Liberdade, ainda que tarde, ouve-se em redor da mesa
e a bandeira já está viva e sobe na noite imensa (...)
Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda
e a vizinhança não dorme, murmura, imagina, inventa,
não fica bandeira escrita, mas fica escrita a sentença...
("Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles.)
Fonte: www.exercito.gov.br
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Lewis K.

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