Cartesianismo e Espiritismo - Sérgio Biagi Gregório

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Cartesianismo e Espiritismo - Sérgio Biagi Gregório

Mensagem por Lewis K. em Sab 09 Out 2010, 15:38

Cartesianismo e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é mostrar o grau de influência que o racionalismo de Descartes exerceu sobre os princípios básicos codificados por Allan Kardec. Para a compreensão do tema, analisaremos: contexto histórico do método, visão geral do Cartesianismo, os problemas tratados por Descartes e os problemas tratados por Descartes à luz do Espiritismo.
2. CONTEXTO HISTÓRICO
Na Grécia antiga, berço da civilização ocidental, o pensamento dos grandes filósofos estava assentado no método dedutivo, em que o conhecimento era construído partindo-se do geral para o particular. "Para Aristóteles, o método da filosofia é a lógica, ou seja, a aplicação das leis do pensamento racional que nos permite passar de uma posição a outra posição por meio das ligações que os conceitos mais gerais tem com outros menos gerais até chegar ao particular". (Garcia Morente, 1970, p.39)
Na Idade Média, período histórico em que predominava o movimento filosófico e religioso denominado de Escolástica, o método é ainda dedutivo. O conhecimento era construído através dos vários silogismos aristotélicos, partindo-se do geral para o particular.
Na Idade Moderna, o método passa a ser indutivo, sem contudo desprezar de todo o método dedutivo. Francis Bacon (1561-1626) ao apresentar o seu Novum Organum, em que enfatiza o empirismo nas ciências, isto é, o conhecimento passa a ser construído partindo-se do particular para o geral. René Descartes insere-se nesse novo contexto da ciência.
3. CARTESIANISMO
3.1. RENÉ DESCARTES
René Descartes (1596-1650) nasceu em La Haye, França, pertencendo a uma família de prósperos burgueses. Estudou no colégio jesuíta de La Fléche, na época um dos mais conceituados estabelecimentos de ensino europeu. Foi soldado, esteve sob as ordens de Maurício de Nassau. Participou de várias campanhas militares. As obras de Descartes são de considerável extensão. As mais importantes são: Regras para a Direção do Espírito (1628), O Discurso do Método (1637) e Meditações Filosóficas (1641). (Jerphagnon, 1982)
3.2. SONHO PREMONITÓRIO
A dez de novembro de 1616, o jovem Descartes teve um sonho premonitório. Sonhou que o Espírito da Verdade o visitara e, reverente, tal como é natural à Entidade de sua estirpe, comunicou-lhe que lhe competia a missão de edificar uma "Ciência Admirável" , cujas coordenadas lhe trouxe em outra visita onírica. Houve, ainda, uma terceira, concluindo o esclarecimento devido. Ao acordar, preocupado com a responsabilidade de tão grande missão, pediu a Deus que o amparasse a fim de que pudesse fielmente cumprir a grande tarefa, tão acima de suas parcas forças. (São Marcos, 1993, p. 76)
3.3. O DISCURSO DO MÉTODO
3.3.1. TÍTULO ORIGINAL
O Discurso do Método para bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências, mais a Dióptrica, os Meteoros e a Geometria que são os ensaios deste método. (volume de 527 páginas)
3.3.2. A DÚVIDA METÓDICA
Descartes analisa o conhecimento vigente e conclui que nada se lhe oferece, de modo indubitável, sobre o que possa fundamentar o seu trabalho. Tem que buscar alguma coisa fora da tradição, uma idéia, uma única que seja, mas que resista a todas as dúvidas. Toma como paradigma a geometria que partindo de algumas proposições certas em si mesmas, descobre outras verdades e esgota todas as possibilidades; também a filosofia deve, de igual modo, descobrir e demonstrar as suas verdades, dedutivamente, partindo de algumas proposições certas, indubitáveis. O edifício filosófico que lhe compete estruturar a de assentar, sobre uma verdade contra a qual nenhuma dúvida, a mínima que seja, possa pairar (São Marcos, 1993, p. 77).
3.3.3. AS QUATRO CÉLEBRES REGRAS
1.ª) Só admitir como verdadeiro o que parece evidente, evitar a precipitação assim como a prevenção;
2.ª) Dividir o problema em tantas partes quantas as possíveis (é o que se chama regra de análise);
3.ª) Recompor a totalidade subindo como que por degraus (regra da síntese);
4.ª) Rever o todo para se Ter a certeza de que não se esqueceu de nada e que, portanto, não há erro. (Jerphagnon, 1982)
3.3.4. INTUIÇÃO E DEDUÇÃO
Dois atos fundamentais nos conduzem à verdade: a intuição e a dedução.
A intuição é o conceito, fácil e distinto, de um espírito puro e atento, de que nenhuma dúvida poderá pesar sobre o que nós compreendemos.
A dedução é apenas uma série de intuições - e, como se pode sempre esquecer um momento da série, será necessário pela imaginação e pela memória habituarmo-nos a repassar cada vez mais rapidamente no nosso espírito os termos da dedução, até que leve a uma "quase intuição" (Jerphagnon, 1982).
4. PROBLEMAS TRATADOS POR DESCARTES
1 - PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS: descubro em mim próprio, ser finito, a idéia do infinito. Ora, como não posso ser autor dessa idéia, é necessário que o autor seja Deus e que, portanto, ele exista. Daí surge o famoso cogito ergo sum, ou seja, "penso, logo existo".
2 - RES COGITANS E RES EXTENSA: enquanto a razão se tornava alma, coisa pensante (res cogitans), o espaço, por seu turno, tornava-se realidade material, coisa extensa (res extensa). Esta é a dualidade cartesiana.
3 - UNIÃO DA ALMA E DO CORPO: prova que a alma é distinta do corpo. Para Descartes, a alma existe e isso deveria ser o suficiente. (Jerphagnon, 1982)
5. PROBLEMAS LEVANTADOS POR DESCARTES À LUZ DO ESPIRITISMO
1 - PROVA DA EXISTENCIA DE DEUS: os Espíritos informam a Allan Kardec que Deus é inteligência suprema causa primária de todas as coisas. Para o Espiritismo, não há efeito sem causa. Tudo enquadra-se na lei natural. Ao "Penso, logo existo" de Descartes, J. H. Pires escreve "sinto Deus em mim, logo existo". Quer dizer, Deus não é percebido pelo pensamento, mas pelo sentimento.
2 - RES COGITANS E RES EXTENSA: para Descartes, o Universo é constituído de dois elementos fundamentais: res cogitans e res extensa. ssas duas substâncias cartesianas, em termos espíritas, são a inteligência e a matéria que, juntamente com Deus, formam a trindade universal.
3 - UNIÃO DA ALMA E DO CORPO: partindo-se de que alma e corpo são distintos Allan Kardec, com o auxílio dos Espíritos, informa-nos que o perispírito - matéria quintessenciada - é o elemento de ligação entre a alma e o corpo físico.
6. INFLUÊNCIA DE DESCARTES EM KARDEC
O método cartesiano pode ser vislumbrado nas entrelinhas da Doutrina Espírita. Allan Kardec, em várias passagens da Codificação, fala-nos que devemos colocar tudo sobre o crivo da razão; que é preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma única verdade como falsidade; que a fé inabalável somente é aquela que consegue enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.
7. CONCLUSÃO
Esse estudo do Cartesianismo serve não só para nos chamar a atenção sobre o tema, como também o de sugerir o desenvolvimento e aprofundamento do mesmo. Se assim o fizermos, vamos encontrando o verdadeiro encadeamento das idéias e uma explicação racional da síntese filosófica elaborada por Allan Kardec.
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Lewis K.

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O RACIONALISMO CARTESIANO

Mensagem por VANDERRR em Qui 18 Nov 2010, 16:00

O RACIONALISMO CARTESIANO
1. DEFINIÇÃO. No século 18, o RACIONALISMO pode ser definido como a doutrina que, por oposição ao CETICISMO, atribui à RAZÃO humana a capacidade exclusiva de conhecer e de estabelecer a Verdade; por oposição ao EMPIRISMO, considera a RAZÃO como independente da experiência sensível (a priori), posto ser ela inata, imutável e igual em todos os homens; contrariamente ao MISTICISMO, rejeita toda e qualquer intervenção dos sentimentos e das emoções, pois, no domínio do conhecimento, a única autoridade é a RAZÃO humana.

2. DESCARTES E SUA ÉPOCA. Na Idade Média, o dogmatismo é religioso e teológico, traduzindo-se na censura ao pensamento, na condenação das teses julgadas heretodoxas,na proibição de ensinar, e, o que era mais grave, na condenação á morte dos hereges, queimados vivos em praça pública, para escarmento e edificação dos fiéis.A “Santa Inquisição”representa, historicamente, o dogmatismo levado às últimas conseqüências, até o extermínio, pelos que julgavam ter o monopólio da verdade, e detinham circunstancialmente o monopólio do poder, daqueles que representavam o inconformismo, o espírito crítico, a liberdade do pensamento, a autonomia da RAZÃO humana.Em contraste com a Teologia medieval, dogmática por definição, a FILOSOFIA MODERNA é essencialmente crítica, quer dizer, essencialmente filosófica.QUE FAZ DESCARTES, SEU FUNDADOR? Não parte da certeza,mas, ao contrário, da dúvida.Não aceita dogma algum, verdade alguma, que não possam ser submetidos á crítica, crítica da RAZÃO HUMANA que, libertando-se da tutela religiosa, e da alienação teológica, recupera a autonomia e o direito de constituir-se como instância última da verdade.O renascimento da Filosofia implicava, como estamos vendo, a ruptura com o dogmatismo, ou, com outras palavras, esse renascimento estava condicionado à recuperação da Liberdade, à reconquista do direito de Pensar, de Criticar, de Discordar.

3. CARTESIANISMO. É um dualismo, uma metafísica e uma física, uma ciência da natureza, físico-matemática, uma filosofia ambígua, ambigüidade que explica a influencia que exerceu nos Enciclopedistas[é o nome dado aos filósofos e outros pertencentes ao chamado Enciclopedismo que confeccionaram e apoiaram a Encyclopédie, publicada na França entre1751 e 1780, com 35 volumes, uma das grandes realizações literárias do século 18. Era uma revisão completa das artes e ciências da época. Explicando os novos conceitos físicos e cosmológicos, e proclamando a nova filosofia do humanismo.] pouco preocupados com a existência de Deus e da alma.
3.1. RENÉ DESCARTES. Nasceu na França, em 1596.Quando jovem, foi um católico devoto, e sua filosofia reteve alguns temas religiosos.Foi educado pelos jesuítas e, na juventude ficou muito impressionado com a certeza e precisão da matemática.Curiosamente, lutou do lado dos Protestantes contra os Católicos na Guerra dos Trinta Anos(1618/1648); portanto, não é surpreendente que as questões Éticas não fossem sua principal preocupação filosófica.
3.2. SONHO PREMONITÓRIO. O excesso de entusiasmo em relação aos seus próprios projetos e teria predisposto a receber impressões dos sonhos e das visões.No dia 10/11/1619, tendo-se deitado cheio de “entusiasmo” e ocupado pela idéia de “ter encontrado, nesse dia, os fundamentos da ciência admirável”, teve três sonhos seguidos, tão extraordinários que pareciam inspirado pelo alto.Acreditou, então, perceber os sinais(marcas)do caminho que Deus lhe traçara para seguir sua vontade, na conduta da vida, em sua própria verdade. Sóbrio, pois nesse dia nada bebera, e nada bebia há um mês recorreu a Deus para que lhe esclarecesse o enigma.
3.3. O DISCURSO DO MÉTODO. Texto estranho, insólito, originalíssimo, porque, além de uma sumária exposição do método, ou das principais regras do método é, também, uma autobiografia de DESCARTES.Nesse texto, talvez único na HISTÓRIA DA FILOSOFIA, não nos diz, propriamente, como devemos proceder, que caminho ou que caminhos devemos percorrer para alcançar a verdade, mas como ele, RENÉ DESCARTES, procedeu para alcançá-la.
3.3.1. A DÚVIDA METÓDICA. Por tudo em questão, partir, não da certeza, mas da DÚVIDA , quer dizer da interrogação, da consciência da própria ignorância, era o que SÓCRATES (469–399 a.C.) foi um filósofo ateniense, um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, e um dos fundadores da atual Filosofia Ocidental fazia, na ciência da própria inciência residindo a essência do Socratismo que, muito menos que uma doutrina, SÓCRATES não nos diz que nada ensinava?, é um método. RENE DESCARTES NADA DE NOVO ACRESCENTA A ESSA CRÍTICA.
3.3.2. AS QUATRO CÉLEBRES REGRAS. Na Primeira Regra, está enunciado o que, para DESCARTES, é o critério da verdade, a clareza e a distinção das idéias.Quanto à EVIDÊNCIA, como critério da verdade, também se encontra na filosofia de ARISTÓTELES (384 a.C. – Atenas, 322 a.C.) foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande. , para o qual demonstrar é reduzir o não-evidente ao evidente, as conseqüências, ou conclusões, aos princípios, apreendidos em si mesmos por serem evidentes.DESCARTES, aliás, confunde a Verdade com a Certeza, admitindo que aquilo que se tornou verdadeiro para ele é verdadeiro para todos.Ora, eu posso estar certo do não-verdadeiro e não ter a certeza da verdade.Tal confusão se explica, aliás, pelo SUBJETIVISMO DA FILOSOFIA CARTESIANA, que tudo pretende retirar do “fundo” do próprio filósofo.Há uma perfeita correspondência entre esse SUBJETIVISMO, que chega ao SOLIPSISMO, e a total incompreensão do tempo e da história.Pois a Verdade não seria verdadeira se fosse apenas minha, por mais clara e distinta que me possa parecer, por que só será verdadeira se for a Verdade de todos.A Certeza, que corresponde ao que os gregos chamavam de DOXA, é particular e contingente, ao passo que a Verdade é necessária e universal.
3.3.3. INTUIÇÃO E DEDUÇÃO.DESCARTES acaba de nos falar da MEMÓRIA, como se fosse indispensável à DEDUÇÃO e desnecessária à INTUIÇÃO.Ora, a MEMÓRIA é indispensável tanto a uma quanto a outra, pois é um engano supor que a INTUIÇÃO se processe sem a MEMÓRIA, quer dizer, fora do tempo.Por mais rápida que seja a apreensão do objeto pelo sujeito, na percepção e na concepção intelectual, sempre ocorre no tempo.O instante fotográfico, mesmo o mais rápido, de fração de segundo, nunca é realmente instantâneo, pois sempre corresponde a uma fração do tempo.É típica do CARTESIANISMO a total incompreensão do tempo, o que acarreta a incompreensão da História.DESCARTES é o pensador do espaço, da extensão, ignorando a verdadeira natureza do espirítio, que é tempo.Explica-se, assim, pela inconsciência em relação à historicidade do espírito, da RAZÃO humana, a sua pretensão de inaugurar o pensamento, de pensar como se ninguém tivesse pensado antes dele.

4. PROBLEMAS TRATADOS POR DESCARTES
1 - PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS: O Argumento Ontológico, que deduz a existência da essência, com o qual DESCARTES pretende demonstrar, ou provar, a existência de Deus, está, no PROSLOGIUM escrito em 1077-1078, foi uma tentativa do medieval do clérigo Anselmo para delinear os atributos de Deus e entender como Deus pode ter todas as suas qualidades que muitas vezes parecem contraditórios, de Santo Anselmo(1033/1034, Aosta - 21 de abril 1109, Canterbury), nascido Anselmo de Aosta(por ser natural de Aosta, hoje na Itália), e, foi um influente teólogo e filósofo medieval italiano de origem normanda.Também os exegetas se extremam, procurando estabelecer diferenças entre o de SANTO ANSELMO e o de DESCARTES, a fim de preservar a originalidade do filosofo Francês.Todavia, esforçam-se em vão, porque o argumento é o mesmo. Em relação ao "penso, logo existo", que seria a grande descoberta do filósofo francês, já se acha em SANTO AGOSTINHO (Tagaste, 13 de novembrode 354 -Hipona, 28 de agosto de430), foi um bispo,escritor,teólogo,filósofo e é um Padre latino e Doutor da Igreja Católica, que o formula com toda nitidez, na CIDADE DE DEUS (iniciada em 413, terminada em 426, uma de suas obras capitais, nela nos oferece uma síntese de seu pensamento filosófico, teológico e político). Por mais que os exegetas se esforcem em sutilezas, na tentativa de mostrar que o "penso, logo existo" CARTESIANO não se confunde com o AGOSTINIANO, devemos confessar que não conseguimos ver, entre um e outro, diferença fundamental alguma.NENHUMA ORIGINALIDADE, portanto, em relação ao momento crucial de sua meditação.

2 - RES COGITANS E RES EXTENSA: Observa que a noção CARTESIANA de matéria extensa,RES EXTENSA, é exatamente a mesma que se encontra no SAGGIATORE, foi um livro publicado em Roma, por Galileu Galilei , em Outubro de 1623.Observando ainda que DESCARTES pareça afastar-se de Demócrito (cerca de 460 a.C. - 370 a.C.) nasceu na cidade de Abdera (Trácia),e é tradicionalmente considerado um filósofo pré-socrático ao contestar o vazio e, em conseqüência, a divisão da matéria em átomos.Todavia, olhando mais de perto, verifica-se que a distinção CARTESIANA entre corpúsculos rígidos e matéria sutil corresponde à distinção entre os átomos e o vazio, que o filósofo grego idenficava com o nada ou o não-ser.
3 - UNIÃO DA ALMA E DO CORPO: O dualismo corpo e alma, o espiritualismo radical, reiterado na afirmação de que “o espírito humano é uma coisa que pensa... e em nada participa do que pertence ao corpo” encontra-se na Quarta Meditação escritas em latim, foram publicadas em 1641.

7. CONCLUSÃO. Duvidar de tudo, negar tudo que não resiste à dúvida, como queria o francês René Descartes , o principal dos filósofos modernos. No livro Meditações Metafísicas, de 1641, Descartes propôs que todo conhecimento começasse de volta, do zero, recusando todos os “argumentos de autoridade”, aquilo que o homem acreditava por tradição ou por imposição de alguma autoridade ou religião. Para perceber o impacto da idéia, basta saber que, depois de Descartes, o mundo passou a viver séculos de revoluções em várias áreas, botando abaixo tudo o que não resistia à dúvida, seja a idéia de que a Terra é o centro do Universo, seja a de que os reis são pessoas superiores. Para o historiador francês Alexis de Tocqueville (29 de Julho de 1805 - 16 de Abrilde 1859) foi um pensador político, historiador e escritor francês, a Revolução Francesa [era o nome dado ao conjunto de acontecimentos que, entre 5 de maio de 1789 e 9 de novembro de 1799, alteraram o quadro político e social da França. Ela começa com a convocação dos Estados Gerais e a Queda da Bastilha e se encerra com o golpe de estado do 18 Brumário deNapoleão Bonaparte. Em causa estavam o Antigo Regime (Ancien Régime) e os privilégios do clero e danobreza. Foi influenciada pelos ideais do Iluminismo e da Independência Americana (1776). Está entre as maiores revoluçõesda história da humanidade.], por exemplo, foi “feita por cartesianos que saíram das escolas e desceram à rua”. Se você usa uma camiseta com o Che Guevara (Rosário, 14 de junho[1] de 1928 — La Higuera, 9 de outubro de 1967) foi um dos mais famosos revolucionários comunistas da história, mude já a estampa: revolucionário mesmo foi Descartes e sua idéia de duvidar de tudo.


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Re: Cartesianismo e Espiritismo - Sérgio Biagi Gregório

Mensagem por Lewis K. em Sex 18 Fev 2011, 12:48

Descartes vivia se perguntando se todas as coisas que já penetraram em sua cabeça são verdadeiras, ou se talvez toda a sua vida seja um tipo de sonho, se há um gênio maligno que o faça pensar que o que acredita ser realidade, seja ilusão, o levando a crer que pensar é “não existir”.
Essas perguntas faziam parte do cotidiano do Filósofo francês René Descartes. “Penso, logo existo”, dizia ele. Com o seu pensamento subjetivo, e sua confiança na razão, Descartes revolucionou o pensamento filosófico, que era até então subordinado pela Igreja, pelos líderes políticos ditos escolhidos por Deus, e pela Escolástica, uma linha dentro da filosofia medieval, de acentos notadamente cristãos, criada pela Igreja para responder as exigências da fé.
Descartes propunha a razão para resolver as Guerras religiosas sangrentas ocorridas na Europa, ele usava seu subjetivismo que valorizava o seu sujeito cientifico, que indicava o caminho para a objetividade e para o rigor intelectual por igual.
A tese mais importante de Descartes é que “Cada um pensa por si mesmo”, colocando assim ao alcance de todos, ferramentas para a descoberta da verdade, a autoridade da Filosofia então passou a se fundar na mente dos Filósofos e não nas escrituras.
Descartes é considerado pai da filosofia moderna por basear uma teoria de critério material (objetividade) dentro de uma concepção de espírito (subjetividade) com a certeza da razão dispensando a dúvida, para o êxito da investigação cientifica, inaugurando assim o novo estagio do pensamento filosófico.
René Descartes nasceu em 1516 na pequena cidade de La Haye na França, era de família aristocrática, e estudou no colégio jesuíta de La Fleche formando-se em direito, alistou-se como voluntário na Guerra dos 30 Anos, morou na Holanda por mais de 20 anos e morreu em Estocolmo em 1650 como mestre de Filosofia.
Era influenciado pelas idéias de Galileu Galilei e tomou de seus amigos o raciocínio simples que os geômetras empregam para chegar as suas mais difíceis demonstrações. Ele saiu em busca de um novo conhecimento que explicasse em uma só teoria, todas as realidades observadas no mundo físico, celeste ou terrestre, ele queria explicar o mundo a partir da mecânica elementar das partículas da matéria. Para ele todos os conhecimentos humanos estão interconectados da mesma forma, como escreveu em uma das suas principais obras “Discurso do método” (1637). Descartes criou a metáfora de uma árvore do conhecimento, onde o tronco era a física que sustentava a ciência com seu raciocínio analítico, baseando-se em seu modelo matemático dos sonhos, que abordava todos os saberes de uma só unidade.
Na busca da evidência, Descartes propunha a dúvida metódica, onde a própria dúvida fornecia a verdade ilimitada, onde a única verdade vinha da evidência, e você só deveria acreditar se tivesse devidamente e claramente exposta, depois da busca da evidência, Descartes propunha dividir em partes para a análise, e então colocar o conhecimento em uma certa ordem dos mais simples aos mais complexos, e por fim fazer enumerações completas e revisões gerais para não omitir nada.
A concepção de mundo e de homem de Descartes ficou conhecida como dualismo cartesiano. Para a divisão da natureza em dois domínios opostos, o da mente ao espírito (res cogitans, a coisa pensante, livre de si.) e o da matéria (res extensa, a coisa extensa, a matéria sem consciência e mecanicamente determinada).
Deus para Descartes representava a ponte do mundo subjetivo (pensamento) para o mundo Objetivo (concreto) da verdade científica. Para ele Deus é um ser perfeito, criador da matéria e da legitimação.
Em sua premissa mais importante “Estou pensando, portanto existo”, ele fundamenta todo o pensamento cartesiano, e Descartes exercita sua dúvida ao máximo.
Ele notou que enquanto supôs que tudo fosse falso, ele percebeu que para pensar isso ele tinha que existir pondo fim a sua dúvida e acrescentando isso a Filosofia que procurava.

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