O Homem e sua Fiel Acompanhante

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O Homem e sua Fiel Acompanhante

Mensagem por Lewis K. em Sab 12 Fev 2011, 14:04

[O HOMEM E SUA FIEL ACOMPANHANTE]

Louis Trolle Hjelmslev, linguista dinamarquês contemporâneo, procurou em seus escritos investigar os pressupostos metodológicos que fundamentam a teoria científica das línguas. Para ele, o homem e a linguagem estão indissociavelmente unidos. É o que se verifica no texto a seguir:

A linguagem - a fala - é uma inesgotável riqueza de múltiplos valores. A linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos os seus atos. A linguagem é o instumento graças ao qual o homem modela seu pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a base última e mais profunda da sociedade humana. Mas é também o recurso último e indispensável do homem, seu refúgio nas horas solitárias em que o espírito luta com a existência, e quando o conflito se resolve no monólogo do poeta e na meditação do pensador. Antes mesmo do primeiro despertar de nossa consciência, as palavras já ressoavam à nossa volta, prontas para envolver os primeiros germes frágeis de nosso pensamento e a nos acompanhar inseparavelmente através da vida, desde as mais humildes ocupações da vida cotidinana até os momentos mais sublimes e mais íntimos dos quais a vida de todos os dias retira, graças às lembranças encarnadas pela linguagem, força e calor. A linguagem não é um simples acompanhante, mas sim um fio profundamene tecido na trama do pensamento; para o indivíduo, é o tesouro da memória e a consciência vigilante trasmitida de pai para filho. Para o bem e para o mal, a fala é marcada da personalidade, da terra natal e da nação, o título de nobreza da da humanidade. O desenvolvimento da linguagem está tão inextricavelmente ligado ao da personalidade de cada indivíduo, da terra natal, da nação, da humanidade, da própria vida, que é possível indagar-se se ela não passa de um simples reflexo ou se ela não é tudo isso: a própria fonte do desenvolvimento dessas coisas.
É por isso que a linguagem cativou o homem enquanto objeto de deslumbramento e de descrição na poesia e na ciência. A ciência foi levada a ver na linguagem sequências de sons e de movimentos expressivos, suscetíveis de uma descrição exata, física e fisiológica, e cuja disposição forma signos que traduzem os fatos da consciência. Procurou-se, através de interpretações psicológicas e lógicas, reconhecer nesses signos as flutuações da psique e a constância do pensamento: as primeiras na evolução e na vida caprichosa da língua; a segunda, em seus próprios signos, dentre os quais distinguiu-se a palavra e a frase, imagens concretas do conceito e do juízo. A linguagem, como sistema de signos, devia fornecer a chave do sistema conceitual e a da natureza psíquica do homem. A linguagem, como instituição social superindividual, devia contribuir para a caracterização da nação; a linguagem, com suas flutuações e sua evolução, devia abrir caminho ao conhecimento do estilo da personalidde e ao conhecimento das longínquas vicissitudes das gerações desaparecidas. A linguagem ganhava assim uma posição chave que iria abrir perspectivas em muitas direções.
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Lewis K.

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