A Revolução Francesa

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

A Revolução Francesa

Mensagem por Lewis K. em Sex 18 Fev 2011, 12:39

A Revolução Francesa

No século XVIII, a maioria dos Estados - Europeus ainda eram governados por Monarquias Absolutistas. E foi a partir desse século que surgiram idéias Iluministas sobre o laissez - faire (livre comércio). Vale ressaltar que em 1789, a Revolução Francesa contribuiu para as transformações irreversíveis associadas à Modernidade. Sendo que, a Revolução instituiu uma nova ordem política de homens livres, governados por uma Constituição, por uma norma fundada, não na vontade de um soberano, mas do povo.
Na França, em 1789, ainda predominava o Antigo Regime. Seus três Estados (ou Ordens) se dividiam em:
• Primeiro Estado: Composto por membros do Alto Clero, como Bispos, Cardeais e Abades, que habitualmente originavam de famílias da nobreza; e membros do baixo clero, como Vigários, Párocos e Monges. Eram 1% da população.
• Segundo Estado: Composto pela Alta Nobreza, que eram os membros da aristocracia; pela Nobreza Provincial, que eram os nobres de diversos níveis de poder; e a Nobreza Togada, composta por burgueses que adquiriam títulos com vista em prestígios sociais e privilégios. Eram 2% da população.
• Terceiro Estado: Composto pela Alta Burguesia, que eram grandes empresários, comerciantes e banqueiros; a Média Burguesia, que eram profissionais liberais, médios empresários e comerciantes; e a Pequena Burguesia, composta por mestres de ofícios, comerciantes locais, trabalhadores urbanos, camponeses (sans-cullotes) e servos. Eram 97% da população.
A revolta foi devido ao estado econômico que a França se encontrava, onde, somente o terceiro Estado movimentava o país, e a burguesia mesmo que enriquecida não podia adquirir títulos muito altos devido a sua classe social, além do que, não tinham muita participação política e também não tinham liberdade econômica em seu trabalho. Alguns Historiadores afirmam que a revolução iniciou, talvez, dois anos antes, em 1787, quando o rei Luis XVI convocou a aristocrática Assembléia dos Notáveis, com o objetivo de que o clero e a nobreza contribuíssem com o pagamento de impostos, a fim de amenizar a crise econômica que ainda perseguia a França, após a Guerra da Independência dos Estados Unidos da América e a Guerra dos Sete Anos. Mas, o rei Luis, não conseguiu promover as reformas tributárias, sendo impedido pelo clero e pela nobreza. Eles, por sua vez, não sabiam que seus privilégios dependiam do regime absolutista, pediram ajuda à burguesia para lutar contra o poder real - era a Revolta da Aristocracia, ou dos Notáveis (1787-1789). Eles iniciaram a revolta ao exigir a convocação dos Estados - Gerais para votar o projeto de reforma.
A convocação dos Estados - Gerais foi em 5 de maio de 1789, sendo que pouco menos da metade de seus integrantes era pertencente ao terceiro Estado. Lá, foi discutido quanto ao modo de votação, orgânico (pelas ordens), ou inorgânico (por cabeças). Era evidente que ao terceiro Estado somente interessava o voto por cabeça. Foram eleitos 291 deputados para a reunião do primeiro Estado (clero), 270 para a do segundo Estado (nobreza), e 578 deputados para a reunião do terceiro Estado (burguesia).
O inicio da Revolução Francesa teve como marca, a queda da bastilha, em 14/07/1789, a prisão política era o símbolo da Monarquia Francesa. Os revolucionários tinham como tema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, eles se proclamaram como “Assembléia Nacional”, e depois com o apoio do clero viriam a se chamar “Assembléia Nacional Constituinte”. Sob proposta de dois aristocratas: o visconde de Noailles e do duque de Aiguillon, a Assembléia suprime todos os privilégios das comunidades e das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as banalidades, e os direitos feudais. Pouco depois foi aprovado a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, onde, se afirmava no primeiro de seus 17 artigos: “Os homens nascem livres e iguais nos direitos”, significando que todos os seres humanos seriam iguais perante a Lei, não devendo haver mais uma estrutura de privilégios. Ainda na Declaração, havia o decreto da preservação dos direitos naturais, entre eles a liberdade e a propriedade, e também que um cidadão só poderia ser preso nos casos previstos em Lei, sendo incorporado do habeas corpus, ou seja, a pessoa é inocente até que se prove o contrário, não podendo ser presa sem provas concretas. Deveria haver liberdade religiosa e de opinião, sendo permitido falar e escrever livremente. Em outubro de 1789, homens e mulheres realizaram uma caminhada de protesto até Versalhes, exigindo medidas do rei contra a fome e a assinatura da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Sem saída, Luís XVI ratificou o documento.
Começaram a surgir então, vários clubes políticos que discutiam idéias e apoiavam ou não partes do projeto de Constituição. Um dos clubes se chamava Cordeliers, eles defendiam a criação de uma república, assim como o clube dos Jacobinos, liderada por Robespierre, onde participavam comerciantes e profissionais liberais, e que em 1790, já tinham organizado 150 organizações políticas sob essa orientação. A Assembléia estabeleceu que a França seria uma monarquia e Luis XVI, o rei dos franceses e não mais da França. O clero teve seus bens confiscados, e foram transformados em funcionários públicos, vários aceitaram essa condição, mas, os membros do alto clero se negaram a aceitá-las e fugiram da França juntamente com outros nobres, levando dinheiro e jóias. Criou-se a liberdade de indústria, eliminaram-se as corporações de oficio e proibiu-se a greve, estabelecendo novas condições para o avanço da indústria burguesa. A Constituição foi promulgada em setembro de 1791 e foi jurada pelo rei.
Além dos jacobinos, havia também os Girondinos do qual faziam parte membros da alta burguesia que defendiam as idéias Iluministas, e temiam as alianças populares defendendo o fim imediato dos levantes organizados pela população. Colocavam-se ainda contra qualquer limitação do direito de propriedade, a qual consideravam inviolável. Haviam ainda na Assembléia, os Montanheses, republicanos que, em sua maioria, eram oriundos da pequena burguesia e pertenciam ao clube dos jacobinos e ao clube dos cordeliers. Teve também a chamada Planície, composta por deputados ditos de centro, ou melhor, sem uma definição política precisa, ora apoiavam os girondinos, ora apoiavam os montanheses.
Em junho de 1791, o rei Luis XVI e sua família tentaram fugir para a Áustria, porém foram descobertos na fronteira, em Varennes, e foram obrigados a voltar. . A assembléia Nacional, contudo, acabou por absolver Luís XVI, mantendo a monarquia. Para justificar essa decisão, alegou que o rei, ao invés de fugir, fora seqüestrado. A Guarda Nacional, comandada por La Fayette, reprimiu violentamente a multidão que queria a deposição do rei. Em fins de julho do mesmo ano, chega-se ao limite do atrito quando as forças militares austro-prussianas saem em defesa de Luis XVI e ameaçam os revolucionários. O então deputado e líder jacobino Robespierre pede a deposição do rei.
No dia 10 de agosto de 1792, houve uma invasão de jacobinos ao Palácio das Tulherias, que abrigava a família real em Paris, logo depois a Assembléia declara o fim da monarquia absolutista na França. Uma nova Assembléia foi convocada para reformular a Constituição, uma vez que a França iria se transformar em república.
O rei Luis XVI, foi acusado de traição a pátria, sendo assim levado a julgamento. Em seu cofre era encontrado os acordos que ele fizera com os monarcas estrangeiros, a fim de restabelecer o regime absolutista na França. Em janeiro de 1793, o rei foi executado em praça pública.
A partir daí os girondinos tomaram o poder, porém em 1793, os sans cullotes com o apoio dos montanheses prenderam e acusaram os girondinos de monarquismo. Dessa forma os jacobinos assumiram o poder. Para evitar que o despotismo monárquico não voltaria a ter força na França, os jacobinos decidiram pela instauração de um poder centralizado ditatorial. Esse regime de opressão chefiado por Robespierre foi chamado de o Grande Terror. O governo jacobino dirigia o país por meio do Comitê de Salvação Pública, responsável pela administração e defesa externa do país, de início comandado por Danton, seu criador. Abaixo, vinha o Comitê de Segurança Geral, que cuidava da segurança interna, e a seguir o Tribunal Revolucionário, que julgava os opositores da revolução em julgamentos sumários. Nesse período, todos os jovens de 15 a 29 anos foram convocados para frear qualquer avanço da contra-revolução. Milhares de pessoas — a ex-rainha Maria Antonieta, o químico Antoine Lavoisier (considerado o criador da Química moderna), aristocratas, clérigos, girondinos, especuladores, inimigos reais ou presumidos da revolução — foram detidas, julgadas sumariamente e guilhotinadas. Os direitos individuais foram suspensos e, diariamente, realizavam-se, sob aplausos populares, execuções públicas e em massa. O líder jacobino Robespierre, sancionando as execuções sumárias, anunciara que a França não necessitava de juízes, mas de mais guilhotinas. O resultado foi a condenação à morte de 35 mil a 40 mil pessoas.
Muitos girondinos que sobreviveram ao Terror, aliados aos deputados da planície, articularam um golpe. Em 27 de julho (9 Termidor, de acordo com o calendário revolucionário francês) a Convenção, numa rápida manobra, derrubou Robespierre e seus partidários. Robespierre apelou para que as massas populares saíssem em sua defesa. Mas os que podiam mobilizá-las — como os raivosos — estavam mortos, e os sans-culottes não atenderam ao chamado. Robespierre e os dirigentes jacobinos foram guilhotinados sumariamente. A Comuna de Paris e o partido jacobino deixaram de existir. Era o golpe de 9 Termidor, que marcou a queda da pequena burguesia jacobina e a volta da grande burguesia girondina ao poder. O movimento popular entrou em franca decadência. Era o fim do Grande Terror.
Com o fim do Terror, foram reorganizados os comitês e fechados os clubes jacobinos. Ainda que a convenção não tivesse conseguido atingir seus objetivos no que dizia a respeito ás transformações sociais, durante esse período foram criadas várias possibilidades de enriquecimento da vida cultural francesa, ficando em evidência o principio iluminista de desenvolvimento da razão.
O Diretório (1794 a 1799) foi uma fase conservadora, marcada pelo retorno da Alta Burguesia ao poder e pelo aumento do prestígio do Exército apoiado nas vitórias obtidas nas Campanhas externas. Uma nova constituição entregou o Poder Executivo ao Diretório, uma comissão constituída de cinco diretores eleitos por cinco anos. Esta carta previa o direito de voto masculino aos alfabetizados. O poder legislativo era exercido por duas câmaras, o Conselho dos Anciãos e o Conselho dos Quinhentos.
Era a república dos proprietários que enfrentavam uma grave crise financeira. Registra-se uma oposição interna ao governo devido à crise econômica e à anulação das conquistas sociais jacobinas. Tentativas de golpe à direita (monarquistas ou realistas) e à esquerda (jacobinos) ocorreram neste período. As ações contra o novo governo se sucediam. Em 1795, um golpe realista foi abortado em Paris. Aproveitando o descontentamento dos sans-culottes, os remanescentes jacobinos tentaram organizar em 1796 a chamada Conjuração ou Conspiração dos Iguais, liderada por François Noël Babeuf (mais conhecido como Graco Babeuf). Os seguidores desse movimento popular, com algumas pinceladas socialistas, desejavam não apenas igualdades de direitos (igualdade perante a lei), mas também igualdade nas condições de vida. Babeuf achava que a única maneira de alcançar a igualdade era com a abolição da propriedade privada. A insurreição foi denunciada antes mesmo de se iniciar e seus líderes, Graco Babeuf e Buonarroti, foram condenados à guilhotina. As idéias de Babeuf, entretanto, serviram de base para a luta da classe operária no século XIX.
Externamente, entretanto, o exército acumulava vitórias contra as forças absolutistas de Espanha, Holanda, Prússia e reinos da Itália, que, em 1799, formaram a Segunda Coligação contra a França revolucionária.
Nas eleições de 1799, os jacobinos voltaram a ter expressão no cenário político. Passaram a criticar as derrotas militares e a questionar as decisões do Diretório, sendo reabertos os clubes jacobinos.
Napoleão Bonaparte fora enviado ao Egito para tentar interferir nos negócios do império inglês, o exército de Napoleão foi cercado pela marinha britânica nesse país, então sobre tutela inglesa. Napoleão abandonou seus soldados e, com alguns generais fiéis, retornou à França, onde, com apoio de dois diretores e de toda a grande burguesia, suprimiu o Diretório e instaurou o Consulado, dando início ao período napoleônico em 18 de brumário (10 de novembro de 1799).
Os princípios burgueses estariam garantidos e a revolução tinha acabado, tendo a burguesia conseguido se afirmar no poder e apoiar o golpe de Napoleão.

avatar
Lewis K.

Feminino Mensagens : 332
Idade : 21

Ver perfil do usuário http://portalhf.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum